Porque colocar o Museu de Biologia Prof. Mello Leitão no seu roteiro a Santa Teresa/ES

Existe aqueles museus em que o destaque principal vai para a edificação, muitas vezes imponente e cheia de história. Outros, em que o bem de maior valor está na sua coleção, muitas vezes de obras de artistas renomados. Existe ainda um pequeno grupo de museus onde o destaque está para a sua área verde, seu paisagismo e suas obras expostas ao ar livre. Já o Museu de Biologia Prof. Mello Leitão se destaca pela sua importância para a preservação da Mata Atlântica, pelo legado do seu idealizador, pelo encantamento que ele consegue transmitir e por tantas outras razões que tentaremos descrever neste post.


Museu de Biologia Professor Mello Leitão, em Santa Teresa - Espírito Santo

E falando em post, esta semana (de 23 e 29 de Abril) está acontecendo em todo o mundo a quinta edição do Museum Week, que por sua vez é uma semana inteirinha onde instituições culturais de diversas partes do mundo estarão divulgando nas redes sociais atividades relacionadas aos museus. O tema para o ano de 2018 é "Convivência, Cidadania e Tolerância", e a Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem (RBBV) incentivou a divulgação desta importante iniciativa através de uma blogagem coletiva dos filiados a RBBV. E aí, ficou curioso para descobrir mais museus? Que tal conferir a lista dos blogs participantes no final deste post?


Um pé na história e outro na atualidade

Fundado em 29 de junho de 1949 pelo naturalista capixaba Augusto Ruschi, o Museu de Biologia Prof. Mello Leitão tem dentre os principais objetivos colecionar espécies da flora e fauna originária da Mata Atlântica - com fins científicos, a educação ambiental e a preservação da memória do seu fundador.

Seu nome é uma homenagem ao professor e amigo de Ruschi, Cândido Firmino de Mello Leitão, que apresentou ao Ruschi seus primeiros contatos como Museu Nacional.

O Museu Mello Leitão já foi vinculado ao IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), ligado ao Ministério da Cultura, e atualmente está vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do Insituto Nacional da Mata Atlântica, devido aos fins científicos e estudos realizados pelo mesmo.


Entrada do Museu Mello Leitão

Um pouco sobre Augusto Ruschi

Para entender a importância do Museu Mello Leitão para a ecologia brasileira, precisamos falar um pouco sobre o seu fundador, o naturalista Augusto Ruschi.

Nascido em Santa Teresa (Espírito Santo), Ruschi foi responsável pela criação de diversas áreas de preservação e conservação ambiental no Espírito Santo e no Brasil, como por exemplo o Parque Nacional do Caparáo. Boa parte do acervo existente sobre a Mata Atlântica se deve a Ruschi, principalmente no levantamento de espécimes de aves. Mas seu destaque (como se ainda fosse possível) foi no estudo das orquídeas e dos colibris. 

A grande paixão de Ruschi foram os colibris, sendo o primeiro cientista a doméstica-los e a reproduzi-los em cativeiro. De acordo com estudos realizados por Ruschi, em Santa Teresa têm-se a maior população de colibris por metro quadrado. 

Percebe-se que o título lhe concedido pela Câmara dos Deputados de Patrono da Ecologia no Brasil não foi atôa né? Mais informações sobre Ruschi temos no post do Rotas Capixabas e no Instituto Nacional da Mata Atlântica.

Fotos de Ruschi, no Pavilhão de Exposições - Museu Mello Leitão

O que ver e fazer no Mello Leitão

A antiga propriedade do naturalista deu lugar ao Museu, que possui uma área com uma rica diversidade de espécimes florísticos, ganhando ainda um charme especial por ser cortado pelo córrego São Pedro.

De forma simplória, podemos dividir o que fazer no Mello Leitão em: (1) observação de animais - aves, macacos, cobras, jabutis e colibris; (2) observação da flora - orquidário, epifítas, jardim rupestre e fragmento florestal; (3) pavilhão de ornitologia (animais taxidermizados) e (4) pavilhão de exposições.

No Pavilhão de Exposições geralmente tem exibição de mostras e exposições geralmente ligadas a temática de Conservação da Natureza. Ali também é possível observar uma série de quadros que apresentam um pouco da história e trabalho de Augusto Ruschi. Ligados ao Pavilhão, têm-se banheiros, bebedouros e auditório.

O Pavilhão de Ornitologia é possível observar uma coleção de animais taxidermizados, com destaque para a quantidade de aves e a coleção de beija-flores.

Mapa de localização do Mello Leitão

Pavilhão de Ornitologia - Museu Mello Leitão
Exemplares da fauna taxidermizados

Museu Mello Meitão - caminho


A observação da flora e fauna pode ser feita praticamente em qualquer lugar do Museu. Os caminhos que devemos percorrer sempre são cercados de muito verde, podendo os percorrer escutando o cantar os passáros e podendo observar também os macacos que ali encontram abrigo.

Entretanto, alguns lugares se destacam. Para a flora, há o orquidário, o jardim rupestre e o jardim de epifítas, que merecem um templo maior de contemplação.

Aquela sensação gostosa de andar sentindo o cheiro de mato - Mello Leitão

Jardim de Epifítas - Mello Leitão


Quaresmeiras enfeitando os caminhos no Mello Leitão

No tocante a fauna, os viveiros têm lugar de destaque no Museu. As Araras se destacam, mas manter distância destes animais (que ainda mantêm um pouco de silvestre) é aconselhável. No Viveirão, é possível ver uma quantidade de papagaios pedindo atenção, passaros coloridos e outros se camuflando no ambiente.

Observando a fauna - Museu Mello Leitão

Arara - Mello Leitão


Araras - Mello Leitão

Mais uma de perto - Araras Vermelhas do Museu Mello Leitão (FOTO tirada em 2016)

Viverão - Mello Leitão

Os macacos podem ser vistos tanto soltos como separados, e os jabutis são um espetáculo a parte - na sua tranquilidade tipíca. Destaque também para as cobras, que ficam ali resguardadas.


Macacos - Mello Leitão

Jabuti se alimentando no Mello Leitão

Já achou a cobra na foto? Mello Leitão

Mas um canto do Museu se destaca quando a palavra é observação de fauna - a varanda da antiga casa (e atual administração) de Ruschi, onde a contemplação dos colibris é um espetáculo a parte. 

Nesta parte do Museu a magia se completa, e ali é possível passar um longo tempo apreciando a beleza dos colibris, de diversas espécies e cores, que encontram na varanda alimento e proteção.

Observação de Beija-Flores

Aquele momento mágico - Museu Mello Leitão

Contemplação de Beija-Flores - Mello Leitão


Impossível não ficar hipnotizado com a leveza dos colibris - Mello Leitão

Neste canto do museu é possível entender a paixão de Ruschi pelos colibris, tamanha leveza destas aves são belas.



Como Chegar e Quando Ir no Museu Mello Leitão

Localizado no munícipio capixaba de Santa Teresa, o Museu Mello Leitão está localizado na Avenida José Ruschi, n.°04. Chegando a cidade, diversas são as placas indicando o caminho para este recanto. Caso vá a Santa Teresa de ônibus, de Vitória é possível chegar a Cidade dos Colibris com a Viação Lírio dos Vales. Da Rodoviária de Santa Teresa, é possível chegar andando ao Museu, percorrendo cerca de 700 metros.

A entrada ao Museu é gratuita, e o mesmo fica aberto a visitação de terça a domingo, das 8 às 17 horas. 

Museu de Biologia Prof. Mello Leitão

Para melhor aproveitamento da visita e de toda a estrutura do Mello Leitão, aconselho separar ao menos duas horas de visita. Também recomendo aqui o uso de repelentes.

O Mello Leitão está na memória da Manu como um dos lugares mais gostosos de visitar. Talvez seja pelo verde, ou pelo contato com a natureza, ou pelo show dos colibris, ou pelos animais ou pelo fato que foge ao nosso imaginário de Museu. Só sei que gostamos muito também de ir ao Mello Leitão sempre que possível.

E que tal aproveitar para conhecer outros museus também? Segue a lista dos blogs participantes da blogagem coletiva do Museum Week pela RBBV:

Comentários

  1. Adorei! Certeza que passaria um dia inteiro aí!

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    1. Obrigada pelo comentário! A gente aqui de casa passa um turno fácil...o ambiente do Museu é uma delícia!

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  2. Nunca tinha ouvido falar sobre este museu! Parece um ótimo passeio em família! Abraço, Tati Barro, Se Lança

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    1. Ele é sim uma ótima pedida para todas as idades!

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  3. Ai que Museu gostoso de visitar. Não o conheci ainda mas achei a proposta bem pertinente. Educação ambiental é cada vez mais necessária. abraços

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    1. Obrigada pelo comentário, Poliana. De fato a temática de Museu é super pertinente!!!

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  4. Que legal já ver seu post aqui tão pouco tempo depois da nossa visita! Até ver a programação do Pocando, eu não fazia ideia que esse museu existisse e sinceramente, estive no Jardim Botânico no Rio em outubro passado e tirando aquelas palmeiras lindas e enormes, o Museu Mello Leitão não perde em nada!!! Bjão Emília e Manu!

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    1. Pois é...acredito que muita gente não conheça o Mello e a sua importância para a preservação ambiental no Brasil! Bora divulga-lo!!! Bjos!

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  5. Sou apaixonada por este Museu!! Excelente passeio em família! Adorei!!

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    1. Ana, acho que quem visita e fica um pouquinho no observatório de beija-flores sai de lá apaixonado né? Passamos até a entender o porque do Ruschi defender com unhas e dentes essa região!

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  6. Que proposta legal a desse museu, combinando o ensino sobre a preservação com um passeio pela Mata Atlântica. Adorei conhecê-lo pelo seu excelente post.

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    1. Obrigada pelo comentário! Sabe o que é mais legal do Museu - além de tudo que ele oferece, ali se faz ciência de ponta - que é destaque no mundo todo! E o show dos colibris, é claro!

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  7. Puxa, que passeio gostoso. Nunca tinha ouvido falar deste museu-parque.

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    1. Pois é, acho que acabam que não divulgam tanto. Aí que é capixaba conhece não só o Museu como o legado de seu Fundador. Mas venha um dia visita-lo e se apaixonar por ele também!

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  8. Gente, que demais esse lugar! É um misto de zoológico com jardim botânico, com parque, com museu! Como não gostar? Dica anotada!

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    1. Lud, é bem isso aí. Um misto de emoções num só lugar!

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